“Quem quer arruma um jeito; quem não quer, uma desculpa”

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Hallo! 🙂

Como eu havia comentado aqui, o post de hoje é pra falar sobre “como”. Mas, antes, quero convidar vocês a refletir um pouquinho sobre o título do post: “Quem quer arruma um jeito; quem não quer, uma desculpa”.

Pra mim, essa frase resume perfeitamente os conceitos aprendidos em uma excelente disciplina que estudei em 2016, chamada “Inteligência da Execução“. Durante a aula, o professor sabiamente nos lembrou que, por mais que “Planejamento” e “Estratégia” sejam palavras amplamente usadas no sentido de conquistar sucesso em qualquer iniciativa, o grande diferencial é, na verdade, a capacidade de fazer aquilo que foi planejado. Ou seja, “arrumar um jeito” de “como” fazer.

Por outro lado, “arrumar” desculpas para não fazer o que queremos fazer ou que achamos que deveríamos fazer é – se não o maior – um dos maiores problemas para qualquer realização/conquista…

“Queria emagrecer, mas meu metabolismo é muito lento…”

“Queria passar em um concurso, mas não tenho tempo pra estudar…”

“Queria viajar mais, mas não tenho dinheiro…”

Vou te contar um segredinho: provavelmente, isso tudo é só desculpa que você dá a si mesmo para não batalhar por algo que você talvez não queira tanto assim ou que você não está disposto a pagar o preço para obter (seja em dinheiro, em tempo, em esforço).

Nunca me esqueci da conversa que tive com o “tio” Jorge, pai da minha amiga Laura, quando eu tinha uns 17 anos e um salário de R$ 400,00 (bruto, sem vale-alimentação e vale-transporte | pausa para as lágrimas kkk). Eu disse a ele que queria muito viajar, mas que não tinha dinheiro pra isso. E ele me respondeu “na lata”, dizendo que isso era desculpa. Que talvez eu tivesse que juntar dinheiro por um longo tempo, mas que, se eu realmente quisesse, eu conseguiria.

E finalizou dando um ótimo exemplo: “o brasileiro sempre reclama que não tem dinheiro pra viajar, mas não deixa de comprar uma TV caríssima, nem que seja em parcelas ‘a perder de vista'”. Hoje, eu complementaria com o exemplo dos smartphones… pode até faltar comida na mesa, mas o telefone caríssimo está lá. É ou não é?!

Por isso, antes de começar a se dar desculpas para não lutar pelo que você realmente quer, saiba que, pode ser difícil, pode levar tempo, mas, provavelmente, você é capaz de conseguir. Só que é preciso querer. De verdade!

Então, vamos recapitular:

[ x ] Sei o que quero

[ x  ] Sei para quando quero

[ x ] Tenho motivações genuínas

[   ] Sei como conquistar o que quero

Definir um caminho para conquistar o que se quer é algo que varia muito de plano para plano, objetivo para objetivo. No entanto, as variáveis que precisam ser consideradas são as mesmas e elas influenciam umas às outras.

Digamos, por exemplo, que meu objetivo seja “emagrecer”. Um objetivo tão amplo tende a ficar no âmbito do “eu queria”, por que é tão abstrato, que parece ser impossível. Quando adicionamos os itens “quando, onde, por que, como”, tudo fica mais realista e, consequentemente, possível, ainda que não necessariamente fácil. Quer ver? Qual objetivo lhe parece mais possível de ser realizado?

  • Exemplo 1: Eu quero emagrecer.
  • Exemplo 2: Fazendo exercícios em casa, 3 vezes por semana, pretendo emagrecer 5 Kg nos próximos 3 meses, para me sentir mais bonita durante a minha cerimônia de formatura.

Com as variáveis definidas, fica mais fácil mensurar, acompanhar, analisar, adaptar. Por exemplo, digamos que o objetivo tenha mudado e agora você queira emagrecer 5 Kg, porém, em 2 meses. Automaticamente, você deverá aumentar os dias de exercícios, para compensar o prazo menor.

Estudar e viver em um país estrangeiro é um objetivo totalmente possível, porém, que exige análise e preparo para uma série de variáveis. Dá pra ir “na loucura” e tentar a sorte? Dá. Mas, eu não gosto muito de incluir a variável “sorte” nas minhas opções.

Sendo assim, o que não dá pra deixar de se considerar ao planejar uma vida no exterior?

  • Recursos financeiros (passaporte, passagens, hospedagem, seguro de viagem, alimentação, vestimenta adequada, procedimentos burocráticos, transporte, comunicação etc)
  • Recursos linguísticos (falar inglês e/ou a língua de onde pretende morar)

Isso é o básico do básico e há muitas outras coisas a se considerar, como: coragem e entusiamo para lidar com todas as novidades; inteligência emocional para lidar com a saudade e a cultura diferente; otimismo, para acreditar que é possível e que pode dar certo; e, principalmente, força de vontade para lutar por tudo isso.

Afinal, o “como” se trata exatamente disso: do que estamos dispostos a fazer para conquistar algo. O resto, na maioria das vezes, é apenas desculpa.

Rebelde

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Perspectiva, por Brunna Duarte, em Labyrinth Dreiländereck.

Oi gente, Hallo!

Quem acha que conhece bem a si mesmo e aos seus desejos provavelmente está enganado. E quem acha que saber isso é suficiente, esse sim, está “redondamente” enganado.

Geralmente, sabemos muito pouco sobre nós mesmos e sobre os nossos desejos. Mas, suponhamos que “subimos um degrau na escada da evolução” e já nos conhecemos o suficiente para saber o que queremos de verdade. O que fazer com esse conhecimento?

Pois bem! É aí que começa o drama, pois, quem sabe o que quer, normalmente, não se contenta com o que não quer. Ser consciente da nossa situação é algo que nos diferencia dos demais animais. É um passo à frente que traduz bem o livre arbítrio: somos capazes de ser, saber quem somos, querer, escolher… e não só em situações de sobrevivência. Contudo, como já disseram muitos antes de mim: “É preciso saber viver”.

Hoje, eu terminei de assistir o documentário Darknet (tem na Netflix) e uma frase que ouvi ficou na minha cabeça:

“Todo rebelde tem que começar em algum lugar, seja levado por uma pergunta ou por uma crise”.

Considerando minha tendência a questionar os padrões, a não ter medo do novo, a querer ser e fazer diferente, sou claramente uma rebelde. E, nesse contexto, o começo da minha insurgência se deu quase como o dilema de quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha, já que minhas perguntas me levaram a uma crise (ato de separar, decisão, momento decisivo) e minha crise me trouxe tantas outras perguntas.

Esse momento de separação marcado pela crise – que eu explicaria como auge da atividade mental de alguém que se descobriu em um contexto e procura respostas olhando para trás (os porquês) e para frente (os “quandos” e “comos”) – é extremamente doloroso e cansativo. Há medo, há ansiedade, há ressentimentos. E não há como fugir disso. Contudo, como “tudo passa”, com calma e sabedoria é possível ressurgir melhor e mais forte.

Tentar um recomeço, abdicando de praticamente tudo que lhe é familiar, não é novidade. Milhões de pessoas mudam de cidade, estado, país, com os objetivos mais diversos… vão em busca de amor, dinheiro, qualidade de vida.

Eu saí do Brasil atrás de um sonho de infância, que provavelmente nasceu comigo, que é estudar na Europa e, consequentemente, trabalhar, viajar, viver. Essa decisão foi longamente quista, desejada, sonhada… mas, só se tornou realidade quando eu coloquei minha felicidade como objetivo de vida e vi que ela tinha nome, data e endereço!

QUESTIONÁRIO DA FELICIDADE

  • O quê? O quê você “quer da vida”. Qual a definição de uma vida feliz pra você?
  • Por quê? O que te motiva a querer esse “o quê”? Quais motivos te levam a querer esse caminho?
  • Onde? Em que lugar você gostaria de viver a sua felicidade?
  • Quando? Não acho que felicidade deva ser adiada, mas, se não der pra ser agora, estabeleça uma data-limite e foque nela. Lembre-se: é da sua felicidade que estamos falando… não adie!
  • Como? Aqui, os caminhos são muitos e diversos. No próximo post, vou começar a contar o meu “como”.

Até logo! 🙂

Freedom is a state of mind

Freedom-is-a-state-of-mindHallo!

No post anterior, convidei as pessoas a refletir sobre o que lhes traz felicidade e sobre o que estão fazendo, de fato, para serem felizes. Na minha opinião, essa reflexão é a mais difícil, pois, muitas vezes “compramos” as definições alheias de felicidade e as vivemos como nossas (o consumismo é um produto da versão capitalista de felicidade, por exemplo).

Contudo, essa autoanálise é a apenas a primeira de muitas. Assim como em qualquer projeto, iniciamos com um tema, depois estabelecemos objetivos e, então, precisamos considerar todos os fatores que podem nos levar ao sucesso ou ao fracasso nessa caminhada. Pensamos em estratégias, avaliamos riscos e oportunidades, para, então, agir. Não é diferente em um projeto pessoal.

Por um longo tempo, achei que meu objetivo de vida era prover uma vida melhor pra minha família. E, em algum momento, percebi que não poderia nem deveria carregar todo esse fardo sozinha, já que a felicidade alheia deve ser parte da nossa conduta e pode nos trazer muita satisfação, mas não é um objetivo de vida em si.

Por sua vez, quando tive como objetivo de vida o sucesso, busquei ser excelente em tudo, ainda que a cobrança fosse mais interior do que exterior. Em grande parte, isso foi algo muito bom para mim, pois conquistei muitas coisas com as quais muita gente diria que eu sequer deveria ousar sonhar. Mas, isso me agregou a pressão de superar expectativas, de concluir tarefas, de ser a melhor, mesmo quando eu não queria ou não podia. Desconhecendo meus limites, voei mais alto, mas também me exauri e me machuquei.

Por ser apaixonada por viagens, cheguei a cogitar a ideia de que meu objetivo de vida seria viajar por todo o mundo, como uma Nômade Digital, algo que não deixa de ser um estilo de vida maravilhoso, mas que ainda não define, para mim, o querer de uma vida toda.

Pensei, pensei, pensei e cheguei a conclusão de que, para mim, ser feliz é ser livre, amar e ser amada de forma verdadeira pelo que sou e ter a oportunidade de aprender sempre: sobre lugares, pessoas, coisas. E, então, o Conhecimento se tornou meu objetivo de vida, pois é parte essencial do que sou: uma eterna aprendiz… curiosa, inquieta, profunda e extensa em meus quereres e interesses.

E o motivo de eu falar sobre tudo isso antes de contar como vim parar aqui na Alemanha é mostrar que grandes decisões não devem ser tomadas de uma hora para outra, mas, também não podemos deixar de tomá-las.

Pessoas à nossa volta, principalmente as que estão conectadas a nós apenas pelo que veem na internet, têm a tendência de analisar o que postamos de forma extrema, seja “floreando” a realidade seja “botando” defeito e dificuldade em tudo. E o que quero mostrar aqui é que os caminhos não são sempre lineares ou glamourosos como gostaríamos, mas que, nem por isso, precisamos deixar de percorrê-los.

Para concluir, uma breve reflexão sobre essa imagem do post, que, a propósito, tenho tatuada nas minhas costas: Se “Freedom is a state of mind“, qual é o seu “state of mind” neste momento?